O governo Lula deve impulsionar a economia com um pacote de medidas que pode movimentar cerca de R$ 88 bilhões até dezembro de 2026. A estimativa é do BTG Pactual, que mapeou oito programas recentes com potencial de estimular o consumo das famílias em pleno ano eleitoral.
A estratégia é vista como favorável às pretensões eleitorais do petista, mas vem acompanhada de efeitos colaterais relevantes. Analistas apontam aumento da pressão inflacionária e maior dificuldade para manter o controle das contas públicas.
Entre as iniciativas com maior impacto financeiro está a ampliação do crédito consignado privado, estimada em R$ 24 bilhões. A isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil aparece logo atrás, com injeção prevista de R$ 31 bilhões. Já o novo modelo de crédito imobiliário pode acrescentar R$ 22,3 bilhões à economia.
Outros programas também contribuem para o pacote. O Reforma Casa Brasil soma R$ 13,9 bilhões, enquanto a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida responde por R$ 7,7 bilhões.
O programa Luz do Povo adiciona R$ 4,3 bilhões, e o Gás do Povo injeta mais R$ 1,6 bilhão. Em sentido oposto, o saque-aniversário do FGTS reduz o montante em R$ 16,7 bilhões.
De acordo com o BTG Pactual, o impulso fiscal previsto para 2026 supera o observado em 2025. “Uma série de programas sem impacto primário deve entrar em vigor”, destaca o relatório do banco. Do total estimado, apenas R$ 33 bilhões afetam diretamente o resultado primário, concentrados principalmente na isenção do IRPF e no Gás do Povo.
Os demais R$ 56 bilhões não pressionam imediatamente o resultado fiscal, por envolverem mecanismos como crédito habitacional, subsídios e políticas de energia. Ainda assim, o banco projeta desaceleração da atividade econômica: o PIB deve crescer 1,7% em 2026, abaixo dos 2,2% estimados para 2025.
Parte desse crescimento, segundo a análise, será sustentada justamente pelo pacote de estímulos, mantendo o consumo das famílias aquecido. Mesmo assim, especialistas alertam que a aparente folga fiscal é temporária e não resolve problemas estruturais.
O BTG avalia que o governo conseguirá cumprir a meta de resultado primário, considerando exceções ao arcabouço fiscal e o limite inferior do objetivo. Para isso, receitas extraordinárias terão papel central, incluindo dividendos de estatais, leilões de petróleo e acordos tributários.
Apesar disso, o espaço para ampliar despesas segue limitado. Gastos obrigatórios continuam pressionados pela vinculação de benefícios ao salário mínimo, pelas regras constitucionais de saúde e educação e pelo envelhecimento da população.
Além disso, critérios de elegibilidade pouco focalizados e o alto grau de judicialização ampliam as despesas de forma incompatível com o novo arcabouço.
O banco projeta que a dívida bruta chegue a 82,1% do PIB em dezembro de 2026, um aumento de 10,4 pontos percentuais ao longo do atual mandato. Para os analistas, o crescimento real de 2,5% ao ano no limite de despesas é incompatível com a estabilização da dívida pública.
A alternativa de ajuste via aumento de receitas também enfrenta obstáculos, já que a carga tributária opera em nível elevado. Diante desse cenário, o BTG conclui que a trajetória fiscal brasileira é insustentável no médio prazo e exigirá reformas estruturais profundas, para além de medidas de caráter eleitoral.
Foto: Palácio do Planalto; Fonte: BPMoney
Reviewed by Marcone Campos
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janeiro 29, 2026
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