recent posts

banner image

Economista analisa riscos e avalia Botafogo S/A: 'Não tem outra alternativa'

Nelson Mufarrej é o presidente do Botafogo (Foto: Vitor Silva/Botafogo)

Ao LANCE!, César Grafietti não enxerga modelo de clube-empresa necessariamente como a salvação do futebol brasileiro, mas admite que Alvinegro não possui outro caminho
Gestões inteligentes e marcadas por boas relações de custo-benefício são vistas com destaque. Os olhos para tais administrações brilham principalmente no Brasil, país onde muitos clubes da elite convivem com dívidas exponenciais há décadas e lutam para sobreviver.
A questão financeira dos clubes geram dúvidas sobre o futuro: como sobreviver? Como manter o fluxo de caixa ativo? Uma das "soluções" estudadas por muitas equipes é assumir a associação de clube-empresa, seja pela compra da instituição ou com a chegada de um CEO. Em entrevista ao LANCE!, o economista César Grafietti afirmou que tal modelo não é moldado apenas por aspectos positivos.

- Inicialmente, eu achava que transformar o clube em empresa era a solução do futebol brasileiro. Mas, estudando mais, fui encontrando o equilíbrio. A gente tem o problema de olhar sempre os benefícios e nunca os riscos. Transformar as associações em empresa tem um monte benefícios, mas também um monte de riscos. Um exemplo é o que está acontecendo no Valencia, que a filha do dono falou: "O torcedor pode reclamar. O clube é nosso, a gente vai fazer o que bem entender e paciência". Esse é o risco do clube-empresa. O modelo societário é menos relevante do que o conceito dentro do clube. Se tiver gestão profissional com ideias corporativos não importa se é associativo ou empresa, importa como você gere. A prova disto são clubes como Barcelona, Real Madrid e, aqui no Brasil, Flamengo, Grêmio, Bahia ,Ceará, Fortaleza, associações que desempenham bem melhor que as outras - analisou.

O Botafogo é um dos clubes brasileiros que passa pela possível transformação para um modelo de clube-empresa. O Alvinegro está na fase final para o começo de uma SPE (Sociedade de propósito específico), que vai separar e profissionalizar o departamento de futebol da parte social do clube a partir da injeção financeira de investidores e a chegada de um grupo para liderar esta parte empresarial.

- É um caminho ruim simplesmente porque não tem outra alternativa. O Botafogo vai muito neste sentido. Caso a S/A não saia, o Alvinegro vai ter enormes dificuldades de seguir em 2021. Acaba desvirtuando o objetivo de agregar receita, trazer acionistas. O tema é muito maniqueísta. Tem o projeto do Pedro Paulo (atualmente no Senado) que defende o clube-empresa com unhas e dentes sem apontar nenhum risco e a turma da associação democrática, com sócios. Falta justamente ponderar riscos e benefícios para que as agremiações se encaixem na melhor oportunidade. Clube-empresa é bom, interessante, mas não é uma tábua de salvação - completou César.
Economista analisa riscos e avalia Botafogo S/A: 'Não tem outra alternativa' Economista analisa riscos e avalia Botafogo S/A: 'Não tem outra alternativa' Reviewed by Marcone Campos on julho 15, 2020 Rating: 5

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.