O
juiz federal Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de
Brasília, determinou o bloqueio de R$ 32,6 milhões do ex-presidente
Michel Temer, de seu amigo pessoal João Baptista Lima Filho, o Coronel
Lima, e de Carlos Alberto Costa, sócio de Lima.
A
decisão é do dia 29 de abril, mesma data em que o juiz federal aceitou
denúncia contra Temer, Lima, Costa e outros no chamado inquérito dos
Portos.
Foi
a quinta ação penal em que o ex-presidente se tornou réu e tem como
alvo o decreto que alterou as regras de concessão do setor de portos,
publicado em 2017 – agora, Temer é réu em seis processos e ainda
responde a mais cinco inquéritos.
Para
o Ministério Público Federal, Temer recebeu propina em troca de
benefícios para o setor, incluindo o decreto. A denúncia envolve os
crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O
bloqueio foi pedido pelo Ministério Público Federal no valor de R$ 32,6
milhões e atinge as contas bancárias dos três réus. Também foi
determinado o bloqueio do mesmo valor nas contas das empresas que têm o
Coronel Lima como sócio, incluindo a Argeplan Arquitetura e Engenharia. O
juiz ainda determinou a indisponibilidade de imóveis e veículos de
Temer, Lima e Costa, ou seja, eles não podem ser vendidos.
Para
os procuradores, “ao praticar atos que no plano nacional e
internacional são descritos como tipologias de lavagem de ativos,
notadamente, a interposição de pessoas, a utilização de pessoa jurídica
para o distanciamento formal dos valores, a emissão de notas fiscais
frias, a realização de gastos em nome de terceiros, a conversão em
ativos ilícitos, Michel Temer, auxiliado por João Baptista Lima Filho e
Carlos Alberto Costa, dissimulou, de forma reiterada e por intermédio de
organização criminosa, a origem ilícita de bens, direitos ou valores
provenientes diretamente dos atos de corrupção ora denunciados”.
Ao
aceitar o pedido, o juiz concordou com os argumentos do MPF e disse que
“o bloqueio destes valores e bens constitui medida essencial para fazer
frente a eventual reparação dos danos causados pelo cometimento dos
ilícitos penais em apuração”. O valor de R$ 32,6 milhões foi calculado a
partir da movimentação financeira das empresas do Coronel Lima entre
setembro de 2016 e junho de 2017.
Nesta
quarta-feira (8), o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2)
determinou que o ex-presidente e o Coronel Lima voltem à prisão. Temer é
acusado de liderar uma organização criminosa que teria negociado R$ 1,8
bilhão em propina. Ele foi preso em 21 de março, durante a Operação
Descontaminação, que teve como base a delação do dono da Engevix e
investigações sobre obras da usina nuclear de Angra 3.
Em
São Paulo, Temer disse que se apresentará “voluntariamente” à Justiça
Federal, que teve uma “surpresa desagradável” e que vai recorrer ao
Superior Tribunal de Justiça.
O
advogado de Temer e do Coronel Lima, disse que a decisão é “injusta”.
“Respeitamos a decisão do tribunal, mas só podemos considerá-la injusta.
Uma injustiça contra o ex-presidente. A prisão foi feita sem nenhum
fundamento, apenas para dar um exemplo. Vamos ao Superior Tribunal de
Justiça para recorrer”, disse Eduardo Carnelós.
A
defesa do ex-presidente afirmou, ainda, que nada foi provado contra
Temer e que a prisão constitui um “atentado ao Estado democrático de
Direito”.
Bloqueados R$ 32,6 milhões de Michel Temer, Cel. Lima e sócio
Reviewed by Marcone Campos
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maio 09, 2019
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