A discussão foi proposta e presidida pelo vereador Milanez Neto (PTB) e secretariada pelo vereador Marcos Henriques (PT)
Procuradores e auditores fiscais
discutiram a Reforma Tributária em audiência pública na Câmara Municipal
de João Pessoa (CMJP), na manhã desta quarta-feira (27). A discussão
foi proposta e presidida pelo vereador Milanez Neto (PTB) e secretariada
pelo vereador Marcos Henriques (PT).
As galerias do Parlamento Mirim ficaram lotadas com
vereadores, autoridades e profissionais da área fiscal da Capital. Todos
que usaram da tribuna defenderam a permanência do Imposto Sobre
Serviços de Qualquer Natureza (ISS) sob a tutela dos municípios.
O vereador Milanez Neto destacou que a Reforma
Tributária da forma apresentada vai fechar municípios pelo Brasil afora,
porque pretende lhes tirar o principal tributo arrecadado sob sua
tutela: o ISS. Ele anunciou que será elaborada uma carta destinada à
bancada paraibana no Congresso Nacional solicitando apoio em defesa da
permanência do ISS nos municípios.
“No município é onde tudo começa. Ninguém bate a
porta de deputados e senadores. Vão ao prefeito e ao vereador cobrar
soluções para as demandas da cidade. Os municípios são os responsáveis
diretos pela ações de melhorias para a população. Pretendem tirar do
município o ISS e criar um imposto único. Isso não pode acontecer.
Precisamos fortalecer os municípios ao invés de aniquilá-los”, defendeu
Milanez.
O vereador Marcos Henriques disse que a Reforma
Tributária é uma das mais importantes para o país porque perpassa a
igualdade social e a questão da renda da população. “A ordem natural das
coisas é organizar e redefinir o pacto federativo e reformular o
sistema tributário, que é nitidamente injusto. Os mais pobres pagam mais
que os mais ricos, aumentando a desigualdade social. A alta carga
tributária estimula a sonegação. Hoje, aqui, vamos aprofundar esse
tema”, declarou.
O auditor fiscal e coordenador técnico de
acompanhamento da Reforma Tributária como representante da Federação
Nacional dos Auditores e Fiscais de Tributos Municipais (Fenafim), Artur
Mattos, destacou a necessidade de os municípios discutirem
profundamente o assunto. Ele também defendeu a permanência do ISS sob a
tutela dos municípios. Segundo ele, os serviços são elementos principais
do Produto Interno Bruto (PIB) internacional, e o ISS pode ser
considerado o imposto do futuro.
“Essa é uma questão efetivamente política e precisa
ser tratada como tal. Estamos correndo o país para defender os
municípios com eficiência e eficácia em sua gestão. O ISS é o principal
imposto municipal e não se pode abdicar dele. Os municípios precisam da
manutenção do ISS simplificado e com a ampliação da base de arrecadação
para incluir os novos serviços gerados atualmente”, arguiu Artur Mattos.
O presidente da Federação Nacional dos Auditores e
Fiscais de Tributos, Célio Fernando de Souza Silva, foi mais um a
defender a permanência do ISS na base de arrecadação dos municípios.
“Existe um consenso de que se precisa fazer uma reforma tributária no
país, mas precisamos analisar de que forma fazê-la. Precisamos
resguardar os interesse dos municípios lutando por sua autonomia e
permanência do seu principal tributo. Os municípios precisam ter mais
arrecadação, e não menos recursos, para poder promover a justiça
social”, comentou.
O presidente da Associação Nacional dos Procuradores
Municipais (ANPM), Cristiano Reis Giuliani, falou que a reforma
tributária passava por questões complexas que remetiam à estruturação do
federalismo do país. “A Reforma Tributária sempre foi discutida. A
expressão econômica do federalismo concentra Poder (recurso) imenso a
União e se luta contra isso desde a proclamação da República. O espaço
dessa luta é no Parlamento, para evitar uma queda na qualidade de vida
da população”, afirmou.
O secretário da Receita Municipal de João Pessoa, Max
Bechara, comentou que existe uma discrepância no modelo de arrecadação
do país: 6% para os municípios, 25% para os estados e o restante fica
para a União. Para ele, a Reforma Tributária apresentada atualmente se
assemelha a um tratamento que destrói o organismo de dentro para fora.
“Não podemos ficar de braços cruzados enquanto fragilizam os nossos
municípios, que não podem depender apenas de repasses. Estudiosos
elaboram uma contraproposta para evitar essa reforma danosa ao nosso
país”, disse.
O diretor de Comunicação do Sindicato dos Auditores
Fiscais da Paraíba (Sindifisco-PB), Glauco Gouvea, comentou que a
reforma não interessava ao povo e servia apenas aos grandes empresários e
banqueiros do país. “As reformas deveriam melhorar a qualidade de vida
do povo. Não deveriam aumentar as desigualdades sociais. A reforma
tributária é necessária, mas precisa ser realizada de forma a evitar
injustiças”, arguiu.
Lucas de Brito (PV), Damásio Franca (PP), Leo Bezerra
(PSB), Carlão (DC), Eliza Virgínia (PP) foram os vereadores que também
prestigiaram o evento.
Procuradores e auditores fiscais discutem Reforma Tributária na CMJP
Reviewed by Marcone Campos
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março 28, 2019
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