“Juntos, poderemos ter um papel de protagonismo, com a perspectiva de eleger o maior número de governadores e manter a maior bancada”, expressou Efraim Filho. Com a fusão, o novo partido espera passar a contar com a maior bancada da Câmara, 82 deputados, quase trinta a mais que o segundo colocado, o PT, com 53, e vai dispor de perto de meio bilhão de reais em dinheiro púboico para financiar o seu jogo político no próximo ano. Como observa a reportagem da “Veja”, a fusão será resultante do casamento entre um partido oriundo da ditadura, o DEM, herdeiro da Arena, que também já se chamou PFL, e de outro que é anabolizado pelo bolsonarismo, o PSL. “A nova agremiação, se confirmada, surgirá como alternativa a eleitores de direita e centro-direita desiludidos com Jair Bolsonaro, mas que ainda não se identificaram com as alternativas colocadas para a eleição presidencial.

De acordo com “Veja”, mesmo com eventuais defecções anunciadas, o casamento entre as duas legendas é o que se pode chamar de “ganha-ganha”. O PSL entra com a condição de novo-rico que passou a ostentar após ser inflado pelo furacão bolsonarista de 2018 e o Democratas, que vivia um encolhimento gradativo (foi de 198 deputados em 1998 para 29 na última eleição), adquire maior relevância e empresta os seus nomes com mais peso político, além da capilaridade da legenda, que tem cinco vezes o número de prefeitos do aliado. Em termos de governadores, atualmente, o PSL controla dois Estados – Tocantins e Rondônia, enquanto o DEM governa Goiás e Mato Grosso. É nas prefeituras municipais que se dá a grande vantagem dos dois partidos interessados em consorciar-se, principalmente o Democratas, que controla 464 municípios, contra 90 filiados ao PSL, o equivalente a 10% do total do país, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral. “O DEM tem quadros qualificados, o que propicia muito mais alternativas que o PSL”, reconhece Luciano Bivar (PE).

Os dirigentes que comandam a negociação – um verdadeiro parto laborioso, dadas as dificuldades de conciliação de interesses, sobretudo, em alguns Estados onde há conflitos pontuais, ressaltam também as afinidades programáticas, como a defesa do liberalismo econômico, que embalou o discurso de Bolsonaro na campanha passada, mas que foi abandonado por ele. Mencionam, ainda, a necessidade de adaptação às novas regras, sobretudo o veto às coligações proporcionais, ponto sensível na eleição de deputados federais, que servem como base para a distribuição de dinheiro e tempo de propaganda na TV. Se a fusão for oficializada até outubro, de acordo com as expectativas alimentadas pelos expoentes dos dois partidos, haverá três meses para aprovação no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral. Todos os prognósticos sinalizam, então, que em meados de janeiro o novo e gigantesco partido se torne realidade no espectro institucional brasileiro.

No que diz respeito à pré-candidatura do deputado federal Efraim Filho ao Senado nas eleições de 2022, o parlamentar garante que ela vai muito bem, obrigado. O governador João Azevêdo ainda continua relutando em precipitar anúncio de preferência por candidaturas ou nomes para a sua chapa, até porque, ao Senado, há um concorrente na trilha perseguida por Efraim Filho, o também deputado federal Aguinaldo Ribeiro, do Progressistas, que acena para o chefe do Executivo paraibano com sinais de entendimento ou ajuste de ponteiros. Formalmente, Azevêdo justifica que é muito cedo para estar colocando definições na mesa, inclusive diante dos inúmeros desafios administrativos que ainda tem que assumir e equacionar.

De sua parte, o deputado Efraim Filho demonstra que não vai esperar, de forma acomodada, o posicionamento que for tornado público lá na frente por Azevêdo. Obstinado no projeto de ser senador, Efraim Filho abriu, nos últimos meses, canais de interlocução com expoentes da oposição a Azevêdo no Estado, como o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, e o ex-prefeito daquela cidade, Romero Rodrigues (PSD), este pré-candidato ao governo. A desenvoltura de Efraim causou boa impressão na oposição, que passou a vê-lo como independente e mentor de um projeto autonomista. Seja como for, a perspectiva de fusão DEM-PSL soa como reforço inesperado que poderá ser decisivo para as pretensões do deputado de migrar da Câmara para o Senado.

Nonato Guedes